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November 01 GRUPOS DE EXTERMÍNIO JÁ MATARAM 212 PESSOAS NA DIVISA DOS ESTADOSA atuação de pistoleiros tirou a vida de 212 pessoas na região de divisa entre Paraíba e Pernambuco em sete anos. Os números fazem parte do relatório da Promotoria de Justiça de Itambé (PE) sobre as mortes por grupos de extermínio, entre 1999 e 2006, em Itambé e Timbaúba (PE), e ainda Pedras de Fogo e em Juripiranga (PB). O documento foi encaminhado, na semana passada, à Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal para sustentar a federalização do caso Manoel Mattos. Os integrantes da Comissão receberam, na tarde de ontem, 21 denúncias envolvendo crimes de extermínio, tortura e exploração sexual de crianças e adolescentes na Paraíba. A audiência pública aconteceu no auditório da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), em João Pessoa.
O presidente da Comissão, o deputado federal Luiz Couto, afirmou que 67 das 212 mortes registradas na “divisa do medo” não chegaram a virar inquérito policial por falta de identificação de mortos e autores dos crimes de extermínio. “As pessoas mortas são queimadas e o cadáver é jogado de um Estado para outro. As vítimas ainda têm regiões decepadas do corpo, como braços e pernas, e depois essas partes são entregues aos familiares das vítimas de grupos de extermínio”, detalhou o parlamentar paraibano, Luiz Couto. Segundo Luiz Couto, o relatório da promotora de Itambé, Rosimery Souto Maior, vai servir de base para que a investigação da morte do vice-presidente do PT pernambucano, Manoel Mattos, passe à esfera federal. “A ministra do Superior Tribunal de Justiça, Laurita Vaz, solicitou, em agosto, à Procuradoria Geral de Justiça da Paraíba um relatório sobre o caso Manoel Mattos, mas até agora as informações não foram entregues à ministra para federalização das investigações. O procurador Oswaldo Trigueiro já se comprometeu a passar os dados”, disse Luiz Couto. O relatório da Promotoria de Justiça de Itambé será entregue ao Conselho Nacional de Direitos Humanos e ao Ministério Público do Estado e Polícia Federal. Ontem, o deputado Luiz Couto e o ouvidor Nacional de Direitos Humanos, Fermino Fecchio, receberam 21 denúncias de violação de direitos humanos na Paraíba. O ouvidor da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República classificou como alarmante o quadro da segurança pública na Paraíba. “A situação é insustentável e alarmante. Os crimes existem na Paraíba, mas não são encontrados os autores. Um exemplo é que, neste ano, já foram assassinados 12 travestis na Paraíba”, afirmou. Fermino anunciou que, em dezembro deste ano, uma comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) vai visitar a Paraíba para cobrar punição aos acusados de violação de direitos humanos. Na audiência, o deputado Luiz Couto e a diretora de Direitos Humanos do Centro Oscar Romero, Valdênia Paulino, afirmaram que podem formalizar, em Brasília, o pedido de intervenção do governo federal na segurança pública da Paraíba. “A Paraíba merece a intervenção do governo federal porque não tem segurança”, enfatizou a diretora do Centro, que fica em Santa Rita. A medida seria para esclarecer crimes e garantir a proteção de testemunhas ameaçadas de morte.
Da redação do Jornal da Paraíba
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