Wilson Barbosa's profilePARAÍBA EM RORAIMAPhotosBlogListsMore Tools Help

Blog


    October 30

    TRÁFICO DE MULHERES

    Rota em Roraima nunca foi desmontada

    Foto: Arquivo/Folha

     

    Transmuambeira é uma estrada de terra que passa por

    detrás dos postos de fiscalização na fronteira com a Venezuela

    Aliciar mulheres e adolescentes para a prostituição em Boa Vista virou profissão para algumas pessoas que passaram a viver exclusivamente desse ramo. E não se trata apenas de conseguir mulheres para atender clientelas de hotéis, autoridades e pessoas da elite local. As cafetinas e cafetões há muito tempo tornaram-se os principais contatos de tráfico de mulheres para garimpos e boates da Venezuela, Guiana e Suriname.

    O mais impressionante é que os primeiros casos comprovados de tráfico de seres humanos surgiram em 2002, mas até agora não houve ninguém punido pela Justiça. Desde aquele ano, Roraima sempre aparece nas 145 rotas de prostituição infantil e de adolescentes, nacionais e internacionais, dados divulgados pela Pesquisa sobre o Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para Fins de Exploração Sexual (Pestraf), realizada por ONGs, a partir de um estudo piloto da Organização dos Estados Americanos (OEA).

    Histórias de garotas aliciadas por cafetinas não faltam em Roraima. Já em 2002, uma das principais rotas identificadas na região Norte foi localizada entre Manaus (AM) e Boa Vista. Meninas de 12 a 17 anos eram aliciadas em Manaus e trazidas para Boa Vista com promessa de emprego como garçonete ou programas com custo inicial de R$ 100,00. Depois, eram levadas para boates da Venezuela e da Guiana, onde o programa ultrapassaria o valor de US$ 300.

    Até hoje esse esquema está ativo, com os mesmos personagens atuando, mas reforçado por outras pessoas (quase todas com nomes fictícios) que passaram a ser recrutadas para que as ações não ficassem concentradas nas mesmas pessoas, desta forma contribuindo para dificultar as investigações policiais e o trabalho do Ministério Público Federal. Enquanto as autoridades roraimenses não saem do discurso de tornar Roraima uma grande rota de exportação de riquezas para o Caribe, cafetões e cafetinas já fazem essa rota traficando mulheres, exportando inclusive adolescentes aliciadas para servir o mercado do sexo europeu.

    Conforme o relatório da Pestraf, a região Norte do País apresenta o maior número de rotas (76), seguida da região Nordeste (69), Sudeste (35), Centro-Oeste (33) e Sul (28). A Espanha é o principal destino deste tráfico, com 32 rotas identificadas. Em seguida, a Holanda (com 11 rotas), a Venezuela (com 10) e a Itália (com 9 rotas). Quem abastece as 10 rotas venezuelanas é Roraima. De lá, muitas mulheres conseguem seguir para a Europa.

    Roraima como rota tem um motivo particular: a facilidade com que se atravessa fronteira, seja pela deficiência na fiscalização ao longo da BR-174 ou por existir uma estrada clandestina na fronteira com a Venezuela, chamada de “Transmuambeira”; e ainda porque é fácil corromper guardas e militares venezuelanos. Empresários europeus, com destaque para Espanha e Portugal, costumam viajar pessoalmente para os balneários do Caribe e na cidade industrial de Puerto Ordaz recrutarem adolescentes e mulheres brasileiras.

    A fronteira com a Venezuela é especialmente preferida pelas quadrilhas de traficantes europeus porque nas boates venezuelanas pelo menos 80% das prostitutas são brasileiras. Em Santa Elena de Uairén, há boates que só trabalham com mulheres brasileiras, a fim de atender esse tipo de clientela. Não existem estatísticas nem relatório que confirmem um número aproximado de mulheres traficadas, pois não há controle rígido na fronteira. As adolescentes trazidas de Manaus e outras daqui mesmo, de Boa Vista, atravessam a fronteira em táxi até Santa Elena do Uiarén por meio da Transmuambeira, uma estrada de terra que passa por detrás dos postos de fiscalização da Receita Federal, da Polícia Federal e do Ministério da Agricultura. 

    Essas garotas passam uma temporada em boates de Santa Elena e depois seguem de ônibus e em pequenos aviões para os balneários do Caribe e para as cidades garimpeiras e industriais da Venezuela. Na fronteira, de maneira informal, todos sabem desse grande esquema, inclusive de valores: cada menina custa, em média, R$ 1.500,00, podendo chegar a mais se for menor de idade e “sem experiência no mercado”.

     

    JESSÉ SOUZA

    Jornalista

    folhabv.com.br

     



    Comments

    Please wait...
    Sorry, the comment you entered is too long. Please shorten it.
    You didn't enter anything. Please try again.
    Sorry, we can't add your comment right now. Please try again later.
    To add a comment, you need permission from your parent. Ask for permission
    Your parent has turned off comments.
    Sorry, we can't delete your comment right now. Please try again later.
    You've exceeded the maximum number of comments that can be left in one day. Please try again in 24 hours.
    Your account has had the ability to leave comments disabled because our systems indicate that you may be spamming other users. If you believe that your account has been disabled in error please contact Windows Live support.
    Complete the security check below to finish leaving your comment.
    The characters you type in the security check must match the characters in the picture or audio.

    To add a comment, sign in with your Windows Live ID (if you use Hotmail, Messenger, or Xbox LIVE, you have a Windows Live ID). Sign in


    Don't have a Windows Live ID? Sign up

    Trackbacks

    The trackback URL for this entry is:
    http://paraibaemroraima.spaces.live.com/blog/cns!D928CCF531993FDC!1754.trak
    Weblogs that reference this entry
    • None